As voltas com Marianas, Marias e - por que não? - José?
Resumo
A intenção desta leitura crítica é apontar o diálogo entre tradição e contemporaneidade, na literatura portuguesa, partindo do desejo e do sofrimento amorosos introjetados e projetados pela famosa freira de Beja - Mariana Alcoforado - abandonada por seu amante o Marquês de Chamilly. Se o estudo tem como mote as Cartas Portuguesas, escritas no século XVII, a primeira volta se dá com a edição em 1972 das Novas Cartas Portuguesas - escritas por três mãos: Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Aqui, evidencia-se o viés, senão sociológico, fortemente denunciativo da opressão vivida pela mulher nas suas mais variadas formas. A segunda volta surge em dois momentos da obra da poeta Adília Lopes: O Marquês de Chamilly (Kabale und Liebe) - 1987 e O regresso de Chamilly - 2000. Estes livros reatualizam a imagem da freira agora em chave irônica e erótica. Entretanto, diante de releituras tão diversas, é possível levantar uma questão comum entre todas: o problema da autoria. Seria a freira de Beja um simulacro de Guilleragues? E as três Marias, uma única voz? E o caso Adília Lopes? Esta análise é uma tentativa de compreender o “rumor” (tradição) criado pelo jogo de intertextualidade e pelo confronto entre escritor e leitura que percorre estes textos contemporâneos.
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