Suspensão do espaço-tempo no conto “Morangos mofados”, de Caio Fernando Abreu
Palavras-chave:
Caio Fernando Abreu, Conto, Morangos mofados, Narrador, Narrativa em crise, Narrative in crisis, Storyteller, TaleResumo
A crise na literatura não é lugar de situação insolúvel. É, antes, um estado de desequilíbrio necessário para que uma obra seja uma obra. Um terreno ou interregno onde os pés não pisam o chão e o abismo convida a um mergulho que não precisa ter fim. Aliás, a queda parece ser o mais interessante do que a chegada ao fundo. É nesse entremeio de espaço e tempo, abismo e esquecimento, que “Morangos mofados”, do escritor Caio Fernando Abreu, se nos apresenta como obra inacabada e lugar de passagem. Esperamos, portanto, neste artigo discutir aspectos do conto homônimo à obra e de como Abreu desencadeia frenética e desmesuradamente um eu afetado, e rege com maestria uma trama narrativo-musical, cujo andamento segue o ritmo de emoções construídas às vezes com lucidez delirante; outras, com monólogos subliminares, que revela um narrador que mescla simultaneamente protagonista, personagens e narratário. Assim, nosso olhar recebe a luz de Blanchot (2005), Benjamin (1994), Rosenfeld (1996), Agamben (2007), Bakhtin (2011) e Reis (2018) e busca compreender a crise da narrativa como travessia que não se completa, como leitura que expande sentidos, sem nunca se fechar.
The crisis in literature is not a place of insoluble situation. It is rather a state of imbalance necessary for a work to be a work. A terrain or interregnum where the feet do not tread the ground and the abyss invites a dive that does not have to end. In fact, the fall seems to be more interesting than the arrival at the bottom. It is in this intersection of space and time, abyss and oblivion, that “Morangos mofados”, by the writer Caio Fernando Abreu, presents us as an unfinished work and place of passage. We hope, therefore, in this article to discuss aspects of the homonym tale to the work and of how Abreu frantically and exaggeratedly triggers an affected self, and rules masterfully a narrative-musical plot, whose progress follows the rhythm of emotions sometimes constructed with delirious lucidity; others, with sublime monologues, which reveals a narrator who mixes simultaneously protagonist, characters and narratary. Thus, our view receives the light of Blanchot (2005), Benjamin (1994), Rosenfeld (1996), Agamben (2007), Bakhtin (2011) and Reis (2018) and seeks to understand the crisis of the narrative as a crossing that is not complete, as reading that expands without ever closing.
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