Lira chinesa: a recepção da poesia clássica chinesa no Brasil
Palavras-chave:
ideograma, música, poesia clássica chinesa, tradução, transcriação, classical Chinese poetry, ideogram, music, transcreation, translationResumo
Dois dos poetas mais importantes do Brasil, Machado de Assis (1839-1908) e Haroldo de Campos (1929-2003) leram e traduziram poesia clássica chinesa. Sem saber chinês, os poetas estudaram fontes em francês e ingles. A “Lira Chinesa” de Machado (em Phalenas, 1870) seguiu as traduções livres ao francês de Judith Gautier (1845-1917) — os textos originais em chinês nunca foram localizados —, enquanto Haroldo, via semiótica, estudou a teoria de Ernest Fenollosa (1853- 1908) sobre o uso do caráter chinês na poesia e as traduções feitas por Ezra Pound. Ele reproduz textos poéticos chineses ao lado das traduções para o português no livro Escrito sobre Jade (1996), incluindo um dos poemas traduzidos por Gautier. Os dois poetas brasileiros, separados por um século, se mostraram fascinados com os temas e a linguagem dos poetas clássicos chineses e se dedicaram à tradução de traduções.
Two of Brazil’s most prominent poets, Machado de Assis (1839-1908) and Haroldo de Campos (1929-2003) read and translated classical Chinese poetry. Without knowing Chinese, each studied sources in French and English. Machado’s “Chinese Lyre” relied on Judith Gautier’s free translations to French —the original texts in Chinese have not been located—, while Haroldo, through semiotics, studied Fenollosa’s theory of the Chinese character in poetry and Pound’s translations. He reproduces Chinese texts alongside translations to Portuguese in Escritos sobre Jade (1996), including one poem used by Gautier. The Brazilian poets, separated by a century, evidenced their fascination with themes and language of classical Chinese poets while working with translations.
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