O passado no presente: João Gilberto Noll, leitor de Álvarez de Azevedo
Abstract
Em meados do século XIX, nos anos fecundos da talvez mais breve carreira literária conhecida, Álvares de Azevedo escreveu o verso “As ondas são anjos que dormem no mar”. À apresentação do romance juvenil de João Gilberto Noll Anjo das ondas, em 2010, Ivan Marques declara que o personagem do romance, Gustavo, “com seu ardor adolescente e seu espírito dilacerado, transbordante de lirismo, poderia mesmo ser comparado ao nosso Byron tropical”. João Gilberto Noll estabelece com Álvares de Azevedo um vínculo que convida o leitor a ir além de uma leitura em primeiro nível de sua obra, buscando indícios que ratifiquem o diálogo entre dois escritores aparentemente tão distantes. O sutil intertexto ultrapassa a pista inicial e pode ser detectado no tema desenvolvido por Noll a partir da história de Gustavo, um adolescente angustiado em busca de sua identidade. A afinidade com Álvares de Azevedo pode ainda ser captada na tessitura narrativa de Noll, em seu fazer literário, nas vozes que emanam de seu texto, mas que se revelam únicas, originais, próprias ao fazer nolliano. Em ambos, um aparente exercício de estilo demonstra que cada escritor cumpre sua missão e exprime a seu modo o sentimento de sua época, e, sobretudo, que a partir da emoção estética pode-se, através da literatura, transcender tempo e espaço.
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