Estratégias de sobrevivência em cenários de opressão: uma leitura da distopia O Ano da Graça à luz da síndrome de Estocolmo
Resumo
Resumo: Este artigo analisa os mecanismos de sobrevivência das mulheres em contextos de opressão, a partir do romance O Ano da Graça, de Kim Liggett (2019), uma distopia em que jovens são isoladas e submetidas a um ritual de purificação para eliminar uma suposta magia destrutiva. A distopia é adotada como referencial teórico, com base nas reflexões de autores como Gregory Claeys (2017) e Leomir Hilário (2013), que compreendem o gênero como ferramenta crítica das estruturas sociais opressoras. Com base em uma análise bibliográfica e literária, o estudo investiga como a protagonista, Tierney James, enfrenta a violência e a coerção psicológica de um sistema patriarcal, desenvolvendo um vínculo ambíguo com seu captor. A partir de considerações sobre síndrome de Estocolmo (Graham, 1994; Yonamine, 2016), discute-se como a criação de laços afetivos com o agressor pode emergir como estratégia de adaptação e preservação psíquica diante à violência sistematizada. Ao traçar paralelos com casos reais, como o sequestro em Estocolmo (1973) e a história de Natascha Kampusch, o artigo evidencia como a sobrevivência em contextos opressores pode embaralhar as fronteiras entre vítimas e algozes. Conclui-se que tais dinâmicas emocionais, muitas vezes julgadas de forma simplista, configuram respostas complexas à dominação estrutural, apontando para a necessidade de interpretações não moralizantes das estratégias de sobrevivência em contextos patriarcais.
Palavras-chave: Distopia. Escrita feminina. Opressão. Síndrome de Estocolmo. O Ano da Graça.
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