Sob o signo trino: uma análise platônica sobre o conto de Cupido e Psiquê em O Asno de Ouro, de Apuleio
Resumo
O conto de Cupido e Psiquê é um dos muitos “contos milésios” entremeados à narrativa principal d’O Asno de Ouro, único romance remanescente do orador, sacerdote e filósofo platônico madaurense Apuleio (Séc. II). Localizado entre os Livros IV-VI – posição central para o desenvolvimento da jornada do protagonista, o homem-asno Lúcio –, o conto sobre a árdua busca da princesa Psiquê pelo divino Cupido é tido como um mito alegórico, aos moldes de diversas criações de Platão: em busca de elevação espiritual, a alma é conduzida pelo amor até planos superiores de conhecimento. Sob tal ótica, pretende-se investigar a constituição do conto sob as lentes do neoplatonismo apuleiano, tendo como principais textos de partida os mitos sobre a alma nos diálogos platônicos Fedro e O Banquete. Além disso, busca-se também rastrear o modo pelo qual a influência do pensamento platônico permeia a significação subterrânea no recorte maior do romance, a partir da narrativa cifrada no conto: Psiquê e Lúcio, protagonistas de suas respectivas jornadas, encontram-se rebatidos nas provações e percursos, de sorte que a mensagem subjacente à alegoria apuleiana importa em uma orientação para a devida educação e reorientação da curiosidade de Lúcio em busca de seu salvamento da condição asinina, e ulterior elevação espiritual.
Palavras-chave: Cupido e Psiquê. Apuleio. platonismo.
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