Recordar, recriar, fragmentar: uma leitura do conto “As cartas não mentem jamais”, de Sérgio Sant’Anna
Resumo
Este artigo propõe uma leitura do conto “As cartas não mentem jamais”, de Sérgio Sant’Anna, a partir de uma abordagem psicanalítica, especialmente com base nos conceitos de recordação, repetição e elaboração formulados por Freud. Após breve contextualização do autor no cenário literário contemporâneo, a análise concentra-se na configuração do sujeito fragmentado, cuja constituição identitária se mostra mediada pela linguagem. Observa-se a dinâmica estabelecida entre os personagens, marcada por relações de alteridade que se metonimizam pelo uso de diferentes idiomas e por uma experiência afetiva atravessada pela arte. Nesse contexto, o conto oferece uma elaboração simbólica da dor e da perda por meio da sublimação artística, evidenciando impasses da subjetividade no mundo contemporâneo. Ao revisitar um autor ainda pouco explorado no debate crítico contemporâneo, o estudo busca também contribuir para a reavaliação de sua relevância no cenário literário atual.
Palavras-chave: Literatura Brasileira. Literatura Contemporânea. Psicanálise. Sérgio Sant’Anna.
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