Pandora e agentes não-humanos na écfrase no Idílio 1 de Teócrito
Resumo
Neste artigo, propomos uma leitura de um excerto do Idílio 1 (versos 27-63) de Teócrito, que leva em consideração, especialmente, a importância do mito de Pandora e da participação de agentes não-humanos na economia do poema. Na passagem em questão, há a écfrase, a descrição poética, de um recipiente rústico de madeira que, no entanto, é ricamente adornado com intrincadas imagens. No enredo do poema, tal peça é ofertada como recompensa por um cabreiro ao pastor Tírsis, a fim de que este entoe uma canção, um lamento, ao mítico pastor Dáfnis. De particular interesse, são as imagens dispostas nesse recipiente: uma mulher cortejada por dois pretendentes, um pescador lançando sua rede do alto de uma rocha e um menino que prepara uma armadilha. Diversas interpretações já foram feitas a respeito dessas cenas, porém a leitura proposta aqui é motivada, especialmente, pelos trabalhos de Brockliss (2018) e Canevaro (2023). Esses autores propõem leituras inovadoras de Teócrito e Hesíodo sob a perspectiva de teorias filosóficas e literárias recentes, como o novo materialismo e a dark ecology. Desse modo, analisamos especialmente como o mito de Pandora, e sua possível relação com a mulher da écfrase do Idílio 1, assim como os agentes não-humanos (como outros animais e forças da natureza) podem fornecer uma chave para a melhor compreensão dessa passagem.
Palavras-chave: Idílio 1. Teócrito. Hesíodo. Pandora. Dark ecology.
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