Pandora e agentes não-humanos na écfrase no Idílio 1 de Teócrito

Autores

  • Thiago Koslowsky da Rosa

Resumo

Neste artigo, propomos uma leitura de um excerto do Idílio 1 (versos 27-63) de Teócrito, que leva em consideração, especialmente, a importância do mito de Pandora e da participação de agentes não-humanos na economia do poema. Na passagem em questão, há a écfrase, a descrição poética, de um recipiente rústico de madeira que, no entanto, é ricamente adornado com intrincadas imagens. No enredo do poema, tal peça é ofertada como recompensa por um cabreiro ao pastor Tírsis, a fim de que este entoe uma canção, um lamento, ao mítico pastor Dáfnis. De particular interesse, são as imagens dispostas nesse recipiente: uma mulher cortejada por dois pretendentes, um pescador lançando sua rede do alto de uma rocha e um menino que prepara uma armadilha. Diversas interpretações já foram feitas a respeito dessas cenas, porém a leitura proposta aqui é motivada, especialmente, pelos trabalhos de Brockliss (2018) e Canevaro (2023). Esses autores propõem leituras inovadoras de Teócrito e Hesíodo sob a perspectiva de teorias filosóficas e literárias recentes, como o novo materialismo e a dark ecology. Desse modo, analisamos especialmente como o mito de Pandora, e sua possível relação com a mulher da écfrase do Idílio 1, assim como os agentes não-humanos (como outros animais e forças da natureza) podem fornecer uma chave para a melhor compreensão dessa passagem.

Palavras-chave: Idílio 1. Teócrito. Hesíodo. Pandora. Dark ecology.

Biografia do Autor

  • Thiago Koslowsky da Rosa

    Doutor em Literatura, Sociedade e História da Literatura e Mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). E-mail: tkrosa@gmail.com ORCID: 0000-0003-0378-0519.

Downloads

Publicado

2026-05-23

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Rosa, T. K. da. (2026). Pandora e agentes não-humanos na écfrase no Idílio 1 de Teócrito. Olho d’água, 17(2). https://www.olhodagua.ibilce.unesp.br/Olhodagua/article/view/1115