O olhar flâneur e a partilha do sensível na Paris do XIX
Resumo
Este artigo examina a figura do flâneur, o observador ocioso e reflexivo das ruas de Paris no século XIX. O ponto de partida são as abordagens de Walter Benjamin sobre a Modernidade, em diálogo com Jacques Rancière, especialmente no que diz respeito às relações entre estética, política e disputa por formas de visibilidade no espaço urbano. O flâneur, herói ambíguo da nova experiência burguesa, encarna o direito de ver — uma prerrogativa de poucos. Rentista, herdeiro do Antigo Regime, ele percorre a metrópole como espectador privilegiado. No entanto, sua trajetória logo se entrelaça com as pressões da modernidade capitalista, que o deslocam da posição de intelectual livre à de homem-sanduíche — alegoria da coisificação. Este artigo busca compreender como o flâneur, imagem conceitual da potência subjetiva e da sensibilidade individual, bem como, da luta micropolítica contra a ordem do capital, pode ser recolocado na partilha do sensível, tensionado pelos regimes de visibilidade e o comum da cidade.
Palavras-chave: Flâneur. Walter Benjamin. Jacques Rancière. Modernidade. Paris. Capitalismo. A partilha do sensível.
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