Olho d'água, v. 4, n. 2 (2012)

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Walter Benjamin: limiar, fronteira e método

João Barrento

Resumo


Die Schwelle ist ganz scharf von der Grenze zu trennen [O limiar deve distinguir-se claramente da fronteira]. Parto desta anotação de O Livro das Passagens (fragmento O 2a, 1) para pensar o método de Benjamin enquanto trabalho em zonas-limite de risco onde, por um lado, se encontram pensamento e escrita, e por outro se cruzam o olhar micrológico e uma hermenêutica crítica, para fazer nascer géneros e formas híbridos e uma “crítica filosófica” que integra a filosofia na análise filológica e histórica. Este método, o pensar nos lugares-do-entre, faz de Walter Benjamin um pensador para-doxal por excelência, isto é, alguém que pensa nas margens, ou no limiar, da doxa e cuja Obra se transforma, assim, num reverberante e rizomático saber de limiares (Schwellenkunde), fundado na prática do desvio, de deslocações quase imperceptíveis do que está mais próximo para o que está mais distante (a que chamou “o Eros da distância”). A constelação do limiar e o método que lhe corresponde (e que, em Benjamin, converge com o processo da alegoria por ele descrito no livro sobre o drama do Barroco alemão e nos ensaios sobre Baudelaire) poderão ser comentados, paradigmaticamente, em relação a algumas áreas de pensamento (filosofia da História, da linguagem e da tradução), a géneros filosóficos e literários privilegiados por Benjamin (ensaio vs. tratado, fragmento e citação, “memorialismo” e crítica) e a objectos específicos (entre os quais se pode destacar a passage, em particular as de Paris).

 

Die Schwelle ist ganz scharf von der Grenze zu trennen [the threshold must be carefully distinguished from the boundary]. I take this statement by Benjamin in The Arcades Project (fragment O 2a, 1) as a starting point to reflect on his method as a work in zones of risk, crossroads where, on the one hand, thought and writing meet, and on the other hand a micrological look on reality and critical hermeneutics complete one another so as to give birth to hybrid genres and forms and to a “philosophical criticism” that integrates philosophy in philological and historical analysis. This method of “thinking in-between” makes of Benjamin a para-doxical thinker par excellence, someone who thinks in the margins, in the threshold of the doxa, and whose work thus becomes a reverberating and rhizomatic science of threshold-zones (Schwellenkunde). This method is based on shifts of thought, almost imperceptible displacements from what is near to what is at distance (Benjamin called this “the Eros of distance”). The constellation of the threshold and its corresponding method (which in Benjamin’s work converge with the process of allegory described in the book on The Origin of German Tragic Drama and in the essays on Baudelaire) can paradigmatically be commented in regard to some fields of thought (the philosophy of History, of language and translation), to philosophical and literary genres favoured by Benjamin (such as the essay or treatise, fragment and quotation, memoirs and criticism) and also to privileged objects, among which the passage (in particular the Paris’ arcades of the nineteenth century) assume a central place.


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