O Feminino em Aline Bei: poética de estilhaços e hibridismo
Resumo
É crescente o interesse da crítica literária acerca das prementes relações entre a forma narrativa e as tensões sociais referentes às questões de gênero – especialmente em territórios que engendraram nos seus modelos de sociabilidade a misoginia e o patriarcalismo, como é o caso do Brasil. Neste artigo, buscamos evidenciar como dois romances publicados pela escritora contemporânea Aline Bei refletem não apenas sobre os papéis socialmente pré-estabelecidos para a mulher na sociedade brasileira, ora denunciando-os como forma de opressão, ora projetando formas de transgredi-los, mas também sobre como a interpenetração entre a épica, a lírica e a dramática situa a subjetividade de suas protagonistas-narradoras em um espaço que lhe nega a plenitude existencial, condicionando-a a ser um sujeito sempre mensurado de forma relativa à sua maternidade ou de modo reducionista em virtude de seu corpo. Para tanto, fundamentamos nossas análises em um aparato teórico-conceitual que compreende, em termos temáticos, a teoria feminista – nomeadamente, os estudos de Simone de Beauvoir, Angela Davis, Betty Friedan, Heloísa Buarque de Hollanda e Martha Robles – em suas discussões sobre os papéis sociais historicamente reservados às mulheres, bem como aspectos da opressão de gênero e do movimento de resistência e transgressão a ela. No que concerne à dimensão formal, nortearam este estudo teóricos e críticos cujas obras lançam luz sobre discussões específicas da forma literária, referentes ao hibridismo de gêneros (épico, lírico e dramático) e à construção da subjetividade narrativa.
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